quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Frase ausente: “Quem te diz que não era a dúvida que fundamentava a certeza?”.

.sedadinutropo sadnuges àh oãn àj ariecret á euq sebas ut sam, ogitnoc idulised em ,odnuf on ,euq ue iuf es uo etsidulised em ,odnuf on ,es ies oãN


POEMAS DA MINHA VIDINHA

CARTAS DA VÉSPERA

A madrugada vinha
encontrar-me a escrever
as cartas da véspera.
Era a neblina, o orvalho
e a friagem,
o olhar opaco e o palato
salobro. De madeira, as mãos.
Labor de febre
o de passar a alma ao papel.
De mim sobrava
um corpo vegetal inteiriço
e dormente, boiando
na líquida superfície da manhã.
Ardia a chama em estranhos
rios de palavras. Assim,
aos poucos, se me foi a alma
toda em sobrescritos. Invólucro
vazio, o corpo, dei-o ao demo.

Rui Knopfli, o passo trocado

2 Comments:

Blogger EyeOfHorus said...

As cartas que nunca se enviam acalentam a alma e torna-se numa bela recordação do que poderia ter sido.
"sedadinutropo sadnuges àh oãn àj ariecret á (...)", concordo contigo, mas não deixo de relembrar que errar é humano e nós somos tão somente isso, humanos.
Se valer a pena porque não?

12:48 da tarde  
Blogger Black Rider said...

Sim, eyeofhorus, eu próprio ando a acumular cartas e cartas que ainda não enviei - se calhar por hesitação, talvez por medo. Compreendo e não deixo de achar bela a recordação do que "poderia ter sido", mas hoje quase que sinto uma sede desesperada em relação ao que (ainda) há-de ser. Talvez seja nesse "futuro" que possa encontrar o que "poderia ter sido", mas num tempo e num lugar em que as coisas possam mesmo acontecer e ser. De uma certa forma vivo as memórias do futuro, nem sempre como memórias apenas.
Espero que sim. Errar é humano. Espero que valha a pena ser humano.

beijo para ti e para as tuas palavras

3:45 da tarde  

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