Quinta-feira, Setembro 03, 2009

POEMA MEDÍOCRE 36

O rato de interstício,
furando as frestas da oportunidade de

queijo velho, poder a qualquer custo e
pêlo eriçado e dentes em riste à laranja podre.

O rato de interstício pelas portas
dos fundos espreita…

a oportunidade que a velha de novelo laranja tricota.

A camisola aos netos. Acorda de um salto! Será
aquele rato o gato que fugiu o Verão passado?

Ela está quase cega. Tem gota. Mija nas fraldas…

“Vem cá bichaninho, vem cá bichano…”

O rato de interstício entra pela porta principal trajando fato e gravata.


Ricardo M. Marques

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Sábado, Abril 11, 2009

POEMA MEDÍOCRE 35

Pode passar a dor mas a não-dor
está lá. Passeia-se pelos passeios
insinua-se nos corredores. Pode passear
a dor mas a não-dor está cá. Pode passar
a dor pelo corredor que a não-dor…

de cotovelo

passeia, está.

Anjo. Silêncio. Sombra. São a trilogia
da banalidade poética. Muitos anos
depois já conta o futuro. À meta
chegámos velhos de chupeta.

As turistas estrangeiras no Chiado chiam.
As crias portuguesas de chupeta chucham.
As sílabas dos chalados nos seus copos cheios.
Cheio o chá da chaleira não apaga as chamas.

Cavas as raízes e outros partem. Partem as
árvores devoram os
frutos. Já não há mais pachorra!

As crias estrangeiras de chupeta chiam.
As turistas portuguesas no Chiado chucham.
As sílabas da chaleira nos seus copos cheios.
Cheio o chá dos chalados não apaga as chamas.
Ricardo M. Marques

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Quarta-feira, Abril 01, 2009


POEMA MEDÍOCRE 35

Pode passar a dor mas a não-dor
está lá. Passeia-se pelos passeios
insinua-se nos corredores. Pode passear
a dor mas a não-dor está cá. Pode passar
a dor pelo corredor que a não-dor…

de cotovelo

passeia, está.

Anjo. Silêncio. Sombra. São a trilogia
da banalidade poética. Muitos anos
depois já conta o futuro. À meta
chegámos velhos de chupeta.

As turistas estrangeiras no Chiado chiam.
As crias portuguesas de chupeta chucham.
As sílabas dos chalados nos seus copos cheios.
Cheio o chá da chaleira não apaga as chamas.

Cavas as raízes e outros partem. Partem as
árvores devoram os
frutos. Já não há mais pachorra!

As crias estrangeiras de chupeta chiam.
As turistas portuguesas no Chiado chucham.
As sílabas da chaleira nos seus copos cheios.
Cheio o chá dos chalados não apaga as chamas.

Ricardo M. Marques

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Domingo, Março 29, 2009

POEMA MEDÍOCRE 34

Já deste para este peditório mas – hoje – é a tua
vez de pedinchares a sopa
dos pobres, de
pedra feita as estátuas, de fogo feitas

as fogueiras – bruxas de trazer por casa as vassouras
varrem a poeira. Da madeira, as brasas. Do ventre o

sangue do aborto. Do nada – de tudo há – dos berços – esqueletos
do amanhã – do futuro – amor e manhãs cinzentas.

Estás sozinho na feira. Levaram as tendas. O vento passa por ti como se passasse junto a um outro. Ou a um louco. Fumas outro cigarro. Loucos os teus olhos reparam na boneca no chão. É de plástico.

É inútil. Percorres as letras das canções mentindo,
cantarolando, dançando. Também tu és sólido, concreto, mas de

areia e areia as ampulhetas ferem. O tempo. De areia em areia os camelos. Carregam.

De
areia em
areia Moisés e as palavras de Deus são bezerros. Na areia

insanas são as palavras dos homens sãos. Também tu

preferiste Goethe a Nietzsche. Também tu
chutaste o corvo pela pomba branca. Também tu

alimentas os lobos sem saberes que, no fundo da sua
alma, são

cordeiros.

Também tu.

Ricardo M. Marques

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Quarta-feira, Março 18, 2009

POEMA MEDÍOCRE 33

Abrem-se as portas da prisão e as mentiras
mastigadas nos lábios
gretados do frio aquecem as
pequenas
coisas do desumanizar as causas humanizando as
coisas.

Hoje – passageiro de uma memória de

amanhã – como se… parágrafo às palavras velhas como

brindes com champanhe no escarro do guarda
no café preto,
branco, cigano, assaltante, traficante e
etc. e tal do
glamour das grades – vulgo berçário
sociológico,

quem te dá

guarida se desejas a boleia e partir?

Quem

te ensina que – no intermédio – o velho
ainda é novo quando te sentas e
te sentes o mestre
sob a árvore – sobreiro, pinheiro, carvalho e que tudo vá para o –

… rosto cicatrizado de inúmeras barbas por
fazer?


Ricardo M. Marques

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Segunda-feira, Fevereiro 23, 2009

ABCurdo

Palavra – verdade e mentira nos lábios; a minha, a tua, a dos outros; algo que se reclama quando não se tem; crianças acenando ao mestre. “É a tua última palavra?”, interrogação, interjeição. “Palavra do senhor” dos cristãos, profeta na gruta dos leões. Apalavrado, subentendendo-se as frases feitas. O que pode, ou não, compor, as mesmas frases. Palavras no plural quando se pretende que a solidão tem remédio. “Palavra de honra”, subentendendo-se que o samurai cometerá pela morte do mestre o sepukku. Palavras quando o silêncio é uma ameaça; som de paredes mudas; rajadas de metralhadoras; o que supostamente aniquilaria as ditaduras; aquilo que todas as democracias vendem nos mercados ao quilo. Palavras… para quê? “Sem palavras”.

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Quarta-feira, Janeiro 28, 2009


6 anos hoje....

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AINDA NÃO ME DEI AO TRABALHO DE ORDENAR ALFABETICAMENTE (AZAR!)